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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Religião, magia e Diálogo Inter-Religioso na Sociedade Pós Moderna


Religião, magia e Diálogo Inter-Religioso na Sociedade Pós Moderna
Por Austri Junior *


Introdução
Este ensaio tem como alvo uma abordagem sucinta a respeito do Dialogo Inter-Religioso. O objeto do nosso estudo será a religião, a magia e o relacionamento entre os cristãos e os não cristãos. Este estudo tem como objetivo a abordagem dos aspectos mágicos inseridos neste contexto.
Não é nossa intenção ditar regras e muito menos apontar verdades absolutas. Mesmo porque, em nossa concepção, não existem verdades absolutas. E estas quando se manifestam constituem-se em dogmas. Convém esclarecer aqui e agora que somos contrários a todo tipo de ação e ou reação dogmáticas – sejam elas: arcaicas, primitivas, modernas ou pós-modernas. Religiosas, filosóficas ou sociais – desde que não sejam elas as leis e os mandamentos que pautam a coerência e a honradez que orientam o nosso caráter, e a ética e a moral que nos projeta na sociedade como indivíduos dignos, e que, respeitam as pessoas, as leis e as instituições, sem perder a identidade e o senso crítico.
O assunto em questão – Religião, magia, e Dialogo Inter-Religioso é vasto e inesgotável. Sendo assim, não temos a intenção de exauri-lo, mesmo que quiséssemos, não conseguiríamos fazê-lo. A nossa intenção neste ensaio é despertar o leitor para as evidências que fazem parte de uma realidade imutável, Mesmo que uma grande maioria não queira nem ouvir falar desse assunto, quanto mais, sentar-se na mesa de “negociação”.

Sabemos que nem todos compartilham do mesmo ideal de “tentativa de unificação das igrejas cristãs” movimento este, conhecido como ecumenismo – é claro que muitas coisas sobre o movimento ecumênico precisariam ser esclarecidas aqui. Porém não o faremos, porque o objeto do nosso estudo não é este – quanto mais, ao que diz respeito ao Diálogo Inter-Religioso.

Para alguns cristãos este assunto é um tanto quanto “melindroso”; é como mexer em vespeiro. Porém, é uma realidade que precisamos olhar de frente e sem medo. Não é possível, que em pleno século XXI, as religiões continuem olhando umas para as outras, se odiando e competindo para saber qual delas é a verdadeira, e em qual delas está o Deus verdadeiro.

Religião

O fenômeno religioso pode se manifestar de muitas formas na vida do ser humano:

“[...] Assim, experiências de fenômenos sobrenaturais podem produzir comoção religiosa (indo desde a experiência de Lutero no temporal em Stotternheim até o murmúrio das ondas do mar prólogo ao Fausto de Goethe, desde experiências extáticas de fusão até a absorção na experiência individual de um pôr-do-sol, etc.) [...]”. 1

O fenômeno religioso está presente em todas as sociedades – arcaicas, primitivas, modernas ou pós-modernas – e, de certa forma com seus dogmas e doutrinas, dirige regulamenta e influencia os hábitos e modus vivendis dos seres humanos nelas inseridas.

Entre tantos provérbios inseridos nas comunidades religiosas que definem a religião, existem três deles, muito utilizados, e, que, são oriundos do senso comum, que queremos destacar. São eles:

- “A religião liga o homem a Deus”;

- “Religião, é religar. Unir”;

- “Religião é coisa do Homem”.

O primeiro provérbio perde o seu sentido em relação ao sagrado em pelo menos dois pontos:

a) Quando o homem não crê em Deus, ou, em nenhum deus (ou deixa de acreditar neles);
b) Quando determinada religião não tem um “deus” como ponto de partida.
Antes de prosseguir queremos levantar algumas questões:

- Será que o homem realmente precisa de uma religião para se ligar a Deus, ou a um deus?

- O homem só consegue se conectar com o divino ou o sagrado se pertencer a uma religião?

- Deus se preocupa com as religiões ou com o ser humano?

- E aquelas pessoas que não pertencem a nenhuma religião, mas possuem vida correta: ética e moral; não serão salvas por Deus?

O objetivo dessas perguntas é levantar questões religiosas que possam gerar reflexões.

Sabemos que pelo menos nessas questões, os cristãos têm as respostas prontas, e na “ponta da língua”; mas os mesmos se esquecem da soberania de Deus.

O segundo provérbio é conhecido pela maioria das pessoas, os crentes – não estamos falando de “evangélicos”. E sim, daqueles que crêem – e dos não-crentes. E serve de cobrança e de argumento crítico por parte de todas elas – principalmente por parte do segundo grupo, os não-crentes – quando o assunto é a desunião ou a divisão entre os membros da mesma comunidade religiosa, ou, não; mas que confessam a mesma fé e a crença no mesmo Deus ou nos mesmos deuses. Ou, quando ocorre a quebra de algum dos princípios religiosos de tais grupos; e, mais: quando esta “quebra” gera conflitos, ou causa escândalos.
A palavra religião tem origem no latin: religare. Porém, a hermenêutica popular não está correta. Re-ligar (ligar de novo), se refere à relação do homem com Deus. E, se há a necessidade de religar, é porque essa relação foi rompida, ou, interrompida em algum ponto.
O terceiro provérbio é muito usado como espeto (e. g. pelos pentecostais) para ferir, agredir, e até mesmo humilhar os “crentes” de outras denominações cristãs; ou, para atingir aqueles que confessam outros credos religiosos – isto quando não os rotulam de “servos do demônio” ou coisas semelhantes – este provérbio também é usado com o intuito arrogante de afirmar superioridade diante de outras religiões tidas com “inferiores”, por parte dos “agressores” que estão convencidos de que só a religião deles (ou delas), vem de Deus; ou, como dizem: “nasceu no coração de Deus”. Os cristãos de uma maneira quase generalizada, principalmente os “evangélicos” pentecostais, são presunçosos e orgulhosos espiritualmente. Embora dissimulem, não conseguem esconder muito bem. E essa arrogância os impede de conversar com outros grupos denominacionais. Principalmente, com os católicos romanos, e, quando se trata de outra religião, a situação fica ainda pior. Pois para os cristãos, principalmente os pentecostais e os neo-pentecostais, as religiões afro-brasileiras pertencem ao diabo. Tal conceito (ou poderíamos dizer: pré-conceito), motiva a crença de que, a aproximação dos mesmos com esses grupos religiosos, vão “contaminá-los” espiritualmente, abrindo “brechas” para que o demônio entre em suas vidas, destruindo tudo o que conquistaram: família, carreira, amigos, e, principalmente “tocando” nos seus bens materiais, e, pior ainda, este contato com os “servos do demônio”, dará a satanás a “legalidade” para que lhes roube a salvação eterna.
É muito comum, ouvir este provérbio advindo daqueles que não crêem em nenhuma religião. E, também por parte dos que se decepcionaram com as
denominações, e, confundem religião com denominação.
Vejo uma grande verdade neste terceiro provérbio. A verdade é:
A religião é “coisa” do homem, porque o ser humano é um ser religioso por natureza. E, sendo um ser religioso, o homem sente a necessidade de algo que o transcenda: um ser superior que satisfaça as suas necessidades. E isso ele só vai encontrar na religião. Em geral é esse o papel da religião – principalmente quando ela é uma religião mágica. O papel de Deus é outro completamente diferente – pois em muitos casos, a religiosidade no ser humano não se apresenta de forma saudável e madura. É claro que não estamos falando aqui de todos os seres humanos, porém em sua maioria o ser humano trás consigo as carências e conceitos que acumulou ao longo de sua jornada e só consegue se relacionar com o sagrado de uma forma vertical, anulando muitas vezes os relacionamentos horizontais – com o outro – e consigo próprio.
Todo ser humano precisa da religião. Karl Marx comentou sobre a religião ser o “ópio do povo”. O que ele queria dizer é que a religião aliena o indivíduo. Talvez o que na religião aliena o indivíduo, além de seus dogmas e doutrinas, seja a magia nela inserida.

Magia e racionalidade

Assim como acontece com todas as palavras, também a magia recebe significados diferentes segundo o tema abordado, e, segundo a interpretação do autor.
Onde se manifesta o sagrado, a religião e principalmente a crença, também se manifesta a magia. Onde há religião, na maioria das vezes encontramos a magia, pois ambas são quase inseparáveis.

A magia pode ser a manifestação natural produzida na mente humana, oriunda de suas crenças, percepções e concepções religiosas. Em muitos casos a magia se torna uma psicopatologia que atinge a espiritualidade e a fé do indivíduo afetando e interferindo em outras áreas de sua vida, e principalmente nos relacionamentos do mesmo. A magia pode até mesmo, ser o fruto de uma mente subdesenvolvida ou uma religiosidade infantil, derivada de uma vida mal resolvida. E bem pode ser aprendida e ou herdada dos pais, ou no convívio com outras pessoas ou nas comunidades religiosas freqüentadas.
Existe alguma possibilidade de praticar a religião sem a magia?

“[...] este é o culto racional de vocês [...] transformem-se pela renovação da sua mente [...]”. 2

O culto dos cristãos deve ser racional.

- É possível isto?

A carta do Apóstolo Paulo aos romanos (se é que foi Paulo quem a escreveu) deixa isto muito claro. Sendo assim, então porque grande parte dos cristãos muitas vezes apresenta características adversas à racionalidade?

Racionalidade na maior parte das denominações cristãs é “zona proibida”. O cristão racional nessas comunidades é classificado como frio, herege, “endemôniado”, sem amor pelo sagrado, ou seja: “ímpio”; e outros predicativos pejorativos.

Nos cultos dessas comunidades a ordem é “deixar o Espírito Santo agir” – como se o Espírito de Deus fosse desordeiro – e quanto mais gritos, choros, “profecias” e “sapateados”, melhor. Será isso magia, irracionalidade ou emoção? Será isso realmente uma desordem?

Em alguns casos parece impossível que o culto possa ser racional. Isso se deve em parte aos elementos e a atmosfera mágica que envolve o êxtase e a emoção nos cultos. “[...] A magia mexe tanto com o sujeito (emoções e afetos), quanto como grupo (social), sendo, por isso, um fenômeno multidimensional”. 3

Acreditamos que, pelo fato de a magia andar de braços dados com a religião e com a fé, pode-se conceituá-la como a capacidade de crer no sobrenatural e no transcendente.

“Enquanto que, por um lado, o pensamento mágico se apresenta como arcaico e, por isso, anacrônico, afirma-se, por outro lado, que justamente a vida moderna com sua perplexidade perturbadora e muitas vezes indecifrável revela fortes tendências à magia”. 4

Observamos que a magia está presente entre as religiões, e, com isso, dificultando os relacionamentos, e criando barreiras para o Diálogo Inter-Religioso. Em nosso entender, a magia ajuda a fomentar a intolerância religiosa.

A intolerância religiosa durante as negociações para uma abertura ao Diálogo Inter-Religioso é orientada em sua grande parte por doutrinas e conceitos pré-existente dos quais as religiões não abrem mão. Essas doutrinas e conceitos forjam a capacidade cognitiva das lideranças e cegam de tal forma que fica quase inviável a superação de quaisquer limites:

“A tendência básica (superar os limites do si-próprio) está associada a tradições gnósticas, místicas [...], formando um grande saco cheio de diferentes orientações doutrinárias e métodos, alguns razoáveis, outros confusos”. 5

Diante dessas dificuldades fica-se o terrível impasse que travam as relações. Não é somente da intolerância da religião cristã que estamos tratando do aqui. Intolerância é uma característica de quase todas as religiões, como também não é privilégio apenas do pentecostalismo.

A intolerância religiosa está presente em quase todas as denominações cristãs, e faz parte da expressão religiosa de quase todo cristão. Talvez a culpa não seja totalmente dos que assim se expressam, pois o cristianismo é por essência uma religião exclusivista.

Quando apresentamos o pentecostalismo e os pentecostais como arrogantes e orgulhosos espirituais, não é nossa intenção rotular, acusar ou excluir. A nossa posição é inclusivista e não abrimos mão disso. O mesmo vale para os cristãos. (Como defensores do Diálogo Inter-Religioso, temos o cuidado de não nos contradizermos cometendo as mesmas atitudes que combatemos. Mas combatemos tais atitudes porque acreditamos que as mesmas precisam ser erradicadas – embora sabedores de que não somos nem a palmatória, muito menos a salvação do mundo – e para isso, às vezes é necessário apontar direções. Com isso, repito: não perdemos o respeito pelas pessoas e pelas instituições. A nossa crítica é racional e científica. Falamos daquilo que conhecemos bem de perto).

- Quais dos dois elementos, magia ou racionalidade devem orientar o espírito religioso e a espiritualidade do religioso?

- Diante de uma sociedade pluralista, pode haver comunhão?

Essas questões são um verdadeiro dilema.

Vejamos um comentário de Berger:

“Por outro lado, os argumentos racionais também podem ser usados para rechaçar impulsos religiosos (se creio em Deus, preciso mudar a minha vida – portanto, argumento contra a existência de Deus), ou pode se recusar a reflexão. A partir do projeto próprio podem surgir barreiras de aprendizagem, recusas de confrontar-se com determinadas idéias. Elas precisam ser elaboradas a partir da história de aprendizagem pregressa da pessoa; sem uma elaboração integral, apelar à razão e apontar para o acerto da doutrina adquiririam um caráter legalista e entrariam em conflito com a unidade interior entre o acontecimento justificador e a doutrina da justificação como enunciado sobre esse acontecimento.

Somente quando surgem interpretações pluralistas da vida e os respectivos sistemas simbólicos, o indivíduo busca, ou esperam-se dele, o conhecimento e a capacidade de discernimento correspondentes. Quando se reflete redefine-se a própria identidade através e no âmbito dos símbolos de fé mantidos presentes na comunhão de fé. Essa religião, porém, pela qual, como decisão individual, a própria pessoa se responsabiliza na sociedade pluralista, permanece vinculada a grupos de referência, para os quais a igreja constituía moldura institucional (organizativa e teológica). 6

Se o indivíduo não estiver bem consigo próprio e não apresentar uma religiosidade resolvida e madura, o desequilíbrio sobrepujará qualquer questão em sua vida, e impedirá avanços espirituais e sociais de extrema importâncias. A magia e a racionalidade não podem comandar as atitudes relacionais do homem com Deus, com a religião, e com a sociedade. Sob pena de que tudo venha se perder. Assim também as crenças, as doutrinas e as convicções humanas devem ser repensadas para um bem maior e comum.

O Diálogo Inter-Religioso

O Diálogo Inter-Religioso é realmente fascinante – para poucos – porém para muitos, constitui-se em uma verdadeira “heresia”. No capítulo anterior, vimos que algumas pessoas, religiões e instituições denominacionais ainda estão “fechadas” a essa possibilidade; e vimos também algumas “causas” que têm contribuído para o impasse da situação dentro do assunto proposto: a magia. Agora vamos olhar para este assunto (Diálogo Inter-Religioso) com outra lente:

Nosso parâmetro principal, doravante será Faustino Teixeira, referência nacional em Diálogo Inter-Religioso.

Teixeira aponta para um caminho que passa pela “Teologia das Religiões”.

Em sua obra, “Teologia das Religiões”, Faustino Teixeira começa o Capítulo Um com o seguinte título: “Teologia cristã das religiões: afirmação de uma identidade”.

“A teologia das religiões constitui um campo novo de estudo e seu estatuto epistemológico vai sendo definido progressivamente. Trata-se de um fenômeno típico da modernidade plural, que provoca a crise das ‘estruturas fechadas’ e convoca a ‘sistemas abertos de conhecimento’. Uma série de fatores contribuíram para a sua emergência: a relação de proximidade inédita do cristianismo com outras religiões, favorecida pelo avanço das comunicações nos últimos tempos; o crescente dinamismo de certas tradições religiosas e seu poder de atração e inspiração no Ocidente; a nova consciência e sensibilidade em face dos valores espirituais e humanos das outras tradições religiosas e a abertura de outros canais de conhecimento sobre elas; uma nova compreensão da atividade missionária etc.” 7

Esses são os “fatores que confluíram na origem” dessa Teologia, que é muito bem vinda. Quando Teixeira fala de “estruturas fechadas e sistemas abertos de conhecimento”, ele está citando Peter Berger [in: Um rumor de anjos; A sociedade moderna e a redescoberta do sobrenatural. Petrópolis, Vozes, 1973, p. 35]. São essas estruturas fechadas que necessitam de uma chave para abrir as portas lacradas. Atrás de algumas dessas portas estão alguns “cofres” de segurança com fechaduras de segredos que precisam ser “desvendadas”. Alguns desses “cofres” guardam, por exemplo, a exclusividade (povo escolhido por Deus), que não é privilégio somente dos cristãos: tudo começou com o povo Hebreu. Outros “cofres” trazem a intolerância religiosa em relação às religiões tidas como “idólatras” que também não é um privilégio dos protestantes e dos evangélicos, mas tem origem no judaísmo. Como podemos ver, há muito que se avançar. “O cristianismo é uma religião entre muitas outras [...] As raízes do cristianismo mundial estão na Antiguidade, por outro lado no povo de Israel [...]”8

“Um tratado específico sobre as religiões é fruto mais recente da reflexão teológica. O interesse teológico pelas religiões surgiu, sobre tudo, através da missiologia, e motivado particularmente por questões pastorais relacionadas à conversão dos ‘pagãos’. Já a literatura polêmica e apologética, contrária às religiões, tem uma larga tradição na teologia, recorrendo a um embasamento escriturístico que tende a identificar as religiões não-hebraicas com a idolatria”. 9

Quando o assunto é o Diálogo Inter-Religioso todo cuidado é pouco. Não se pode julgar ou até mesmo condenar as práticas religiosas dos outros. “Assim como o diálogo, também o anúncio encontra dificuldades e obstáculos para a sua realização. O documento [Diálogo do Anúncio] * distingue, por um lado, dificuldades internas (da parte dos cristãos), e as enumera: discrepância entre palavras e ações (quando as palavras não são acompanhadas de um testemunho); descuido do anúncio por negligência, medo ou vergonha; atitude de superioridade e falta de apreço de apreço pela alteridade. Quanto a este ultimo aspecto, o documento é incisivo: ‘Os cristãos que não têm apreço nem respeito pelos outros crentes e pelas suas tradições estão mal preparados para anunciar o evangelho’ (DA 73c)”. 10

O assunto Diálogo Inter-Religioso sempre será um “ponto de tensão”, para as comunidades de fé, e uma “pedra no sapato” de muitos crentes. Há os que emitem documentos sobre o assunto, com conteúdos maravilhosos, mas a práxis cotidiana contradiz literalmente os escritos. Este é o caso de algumas autoridades no catolicismo. A respeito disso Faustino Teixeira relata sobre a atitude – em sua avaliação “dolorosa” – da carta emitida aos bispos pela Congregação para a Doutrina da Fé, [Congregação para a Doutrina da Fé. Carta aos bispos sobre alguns aspectos da Igreja entendida como comunhão. Petrópolis, Vozes, 1992 (Documentos Pontifícios)]. Avaliando o conteúdo desse documento, Teixeira afirma que o mesmo é “como expressão de um claro ‘recuo’ pré-ecumênico [...]”, e cita:

“A reação suscitada no mundo evangélico por esta carta foi de muito impacto e de certa decepção. Um dos grandes nomes da teologia evangélica atual, JÜRGEN MOLTMANN*, reagiu ao documento em revista católica, afirmando que algumas das expressões presentes ns carta são ‘indignas de um diálogo ecumênico’. Como simpatizante do catolicismo, sinaliza – retomando José Martí – que ‘a Igreja não combate seus inimigos, mas seus melhores filhos e assim também, seus melhores amigos’. Segundo Moltmann, a unidade ecumênica das Igrejas implica um relacionamento de condicionamento e interpretações recíprocas, sendo a presença de Cristo ‘percebida nas Igrejas, como também entre elas, onde quer que estejamos reunidos em deu nome. A catolicidade é um sinal da presença de Cristo. Ultrapassa de longe a forma romano-católica da Igreja’. O autor conclui afirmando que a mencionada carta constitui uma ‘retração do ecumenismo e da modernidade para dentro dos muros de Roma’”. 11

Conclusão

Concluímos este ensaio com poucas palavras – que não nos pertencem – que são de uma profundidade imensurável. O “dono” dessa frase é nada mais nada menos que HANS KÜNG:**

“Esperar uma religião mundial única é ilusão, temê-la é contra-senso”. 12


1. Berger, Peter. O Dossel Sagrado, São Paulo, Paulus, 1985, p.104;
2. Rm 12 1-2. NVI, São Paulo, Sociedade Bíblica Internacional, 4ª edição, 1999;

3. Júnior, Reinaldo. Um estudo sobre mito e antropologia, Juiz de Fora, 2004;

4. Berger. Pag.108;

5. Berger. Pag. 110;

6. Berger. Pag. 127;
7. Teixeira, Faustino. Teologia das Religiões, São Paulo, Paulinas, 1995, p. 11;

8. Lienemann-Perrin, Christine. Missão e Diálogo Inter-Religioso, São Leopoldo, Sinodal, 2005, p. 9.
9. Teixeira, Faustino. P. 14;

* Grifo meu;

10. Teixeira, Faustino. P. 176;

11. Teixeira, Faustino. P. 196;

* Moltmann tornou-se conhecido e respeitado no mundo inteiro por sua primeira e magnífica obra: “Teologia da Esperança”, (grifo meu);

** Hans Küng é um teólogo católico muito respeitado na teologia protestante;

12. Küng, Hans. Projeto de ética mundial; uma moral ecumênica em vista da sobrevivência humana. São Paulo, Paulinas, 1992, pp. 161, 165-176, in: Teixeira, Faustino, Teologia das Religiões, São Paulo, Paulinas, 1995, p. 193.

Bibliografia

Bíblia NVI, 1999;

Júnior, Reinaldo. In: Apostila Pós-Graduação em Ciências da Religião – FUV, Religião e Magia, 2008; Negrito

Berguer, Peter. 1985;

Lienemann-Perrin, Christine. 2005;

Teixeira, Faustino. 1995.

Austri Junior - Teólogo/Pós-Graduando em Ciências da Religião - dono do blog CIRCULOTEOLÓGICO www.circuloteologico.blogspot.com

12 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. A intolerância religiosa tem causado o caos ao longo da história da humanidade desde os primórdios.

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  3. Excelente ensaio para se refletir parabens e um 2011 DEZ!

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  4. Excelente texto! http://mentedosinvalidos.blogspot.com/2011/08/minhas-frases-no-facebook.html
    Parabéns!

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    1. Vou curtir a sua Página no Facebook.
      Também tenho uma Página de Reflexões no FB. Se puder curtí-la , ficarei honrado e agradecido. Eis o link:
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  5. Extra blog, good job !

    ADD ME !
    http://tomaszrepeta.blogspot.com/

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  6. Muito legal esse texto. Amei. Beijos!

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  7. Estive a ver e ler algumas coisas, não li muito, porque espero voltar mais algumas vezes, mas deu para ver a sua dedicação e sempre a prendemos ao ler blogs como o seu. Se me der a honra de visitar e ler algumas coisas no Peregrino e servo ficarei radiante, e se desejar deixe o seu parecer. Abraço fraterno. António.
    http://peregrinoeservoantoniobatalha.blogspot.pt/

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    1. Olá Antonio, muito obrigado.
      Tenhio o razer e a honra de seguir o seu Blog!

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